Pokemon TCG

Opinión

Análise: Sem Buffs nem Nerfs - a Estratégia do Pokémon Pocket é Sustentável?

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Neste artigo, vamos discutir um tema pouco explorado: o futuro do Pocket, já que o jogo não faz buffs nem nerfs em suas cartas. Para isso, contamos com a análise de um especialista em game design e jogador profissional de card games!

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Índice

  1. > Patch notes são necessários?
  2. > Power Creep
    1. Problemas que o power creep pode gerar no Pocket
  3. > Outros problemas de um jogo sem nerfs e buffs
  4. > Conclusão

Hoje falaremos sobre o futuro do Pokémon Pocket. O jogo aborda a manutenção do seu meta de uma maneira muito diferente dos outros card games digitais. Em vez de patch notes, ele prefere adicionar mais cartas à pool e lançar vários reprints ou versões atualizadas de Pokémons que já existem no jogo — uma estratégia extremamente semelhante à do Pokémon físico.

Vamos analisar como essa abordagem mais tradicional afeta o jogo a longo prazo e como o meta pode se comportar, já que o Pocket não lança patch notes para nerfar ou buffar cartas.

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Meu nome é Gabriel, ou "total". Sou formado em game design, trabalhei como narrador e comentarista de Legends of Runeterra pela Riot Games por cinco anos e também sou jogador profissional de card games.

Patch notes são necessários?

Jogos de cartas digitais como Hearthstone, Marvel Snap e Legends of Runeterra alteram suas cartas regularmente por meio de buffs e nerfs para manter o equilíbrio do meta quando necessário. Essa prática é extremamente comum em jogos multiplayer, sendo difícil encontrar um título moderno que não adote esse tipo de abordagem.

O Pokémon Pocket, por outro lado, é um dos poucos jogos que não utiliza nerfs e buffs para ajustar seu meta. Em vez disso, ele prefere um método mais tradicional, semelhante ao do Pokémon físico.

A ideia principal do jogo é lançar novas cartas que, por sua vez, substituem as mais antigas nos melhores decks, atualizando as listas naturalmente. Assim, ao invés de alterar uma carta que está fraca ou forte demais, o jogo simplesmente introduz novas opções ao pool.

Essa é uma solução prática, que facilita a manutenção do jogo do ponto de vista dos desenvolvedores. Como o Pocket se inspira diretamente no Pokémon físico, ele pode reutilizar artes já existentes e adaptá-las para a versão mobile. Além disso, criar cartas para o jogo é um processo relativamente simples, exigindo maior atenção apenas para as versões mais raras, como as cartas douradas e animadas.

Dessa forma, a tendência é que o jogo lance coleções com frequência, atendendo à demanda por um meta renovado. No cenário competitivo, por exemplo, um meta se estabelece em poucas semanas, exigindo novidades constantes para manter a diversidade de estratégias.

No entanto, essa abordagem, apesar de prática, pode gerar alguns problemas a longo prazo - como veremos a seguir.

Power Creep

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Assim como em todo jogo de cartas, o Power Creep (quando novas cartas são progressivamente mais fortes que as anteriores) é inevitável e pode se tornar um problema.

A diferença é que no Pocket, essa questão pode surgir rapidamente devido ao estilo de manutenção adotado. Já há exemplos de cartas que receberam pequenos incrementos de poder em relação às anteriores.

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Problemas que o power creep pode gerar no Pocket

Nível de entrada muito alto no futuro

O ritmo acelerado do jogo pode tornar o nível de entrada para novos jogadores extremamente difícil. Mesmo investindo dinheiro, um iniciante pode precisar abrir diversos pacotes de expansões diferentes para conseguir as cartas necessárias para montar um deck competitivo.

Isso pode gerar um ambiente fechado, onde jogadores veteranos dominam o jogo, dificultando a entrada de novos competidores. Se um iniciante perceber que não consegue alcançar os demais sem gastar muito tempo e dinheiro, ele pode se frustrar e desistir do jogo.

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Expansões fracas tendem a fracassar

O Power Creep cria um ciclo vicioso: toda nova coleção precisa introduzir cartas fortes o suficiente para justificar o investimento dos jogadores. Afinal, ninguém quer gastar dinheiro em pacotes que não oferecem algo melhor do que já existe.

Se uma expansão não trouxer cartas mais fortes que a anterior, o interesse no jogo pode diminuir, deixando o meta estagnado por mais tempo e levando à frustração dos jogadores.

Se mal gerenciado, o Power Creep pode destruir o jogo

Caso uma nova carta seja absurdamente mais forte do que qualquer outra já lançada, ela pode dominar o meta completamente. Se não houver um counter eficiente, o jogo se torna repetitivo, com todos os jogadores usando o mesmo deck ou variações dele.

Isso elimina a liberdade de escolha dos jogadores, obrigando-os a seguir um único arquétipo para ter bons resultados. A diversidade no meta desaparece, tornando a experiência monótona e desmotivadora.

Outros problemas de um jogo sem nerfs e buffs

Exemplo de meta polarizado - Torneio com 71 participantes, que 44% dos decks eram de Exeggutor ex.
Exemplo de meta polarizado - Torneio com 71 participantes, que 44% dos decks eram de Exeggutor ex.

Além do Power Creep, o Pocket pode enfrentar outros desafios, como metagames polarizados que duram meses até a chegada de uma nova coleção.

Os jogadores podem ficar presos a um ambiente desbalanceado por muito tempo, aumentando a frustração e tornando a nova coleção ainda mais esperada. Isso já ocorreu em pequena escala no jogo, como no primeiro meta dominado por Mewtwo ex. Até o lançamento da coleção seguinte, os torneios e partidas ranqueadas eram compostos quase exclusivamente por listas de Mewtwo ex e Pikachu ex.

Outro problema potencial é o crescimento excessivo da pool de cartas. Quanto mais cartas são adicionadas ao jogo, maiores são as chances de bugs e desbalanceamento.

Para lidar com isso, o Pocket pode adotar um sistema de restrições no futuro, como:

- Rotações de cartas (como no Legends of Runeterra);

- Divisão em formatos (como no Hearthstone, separando cartas antigas e novas em diferentes modos de jogo).

Além disso, o jogo precisaria melhorar sua interface de coleção para facilitar o gerenciamento das cartas, já que o sistema atual é bastante limitado.

Conclusão

Se você leu até aqui, muito obrigado, espero que tenha se divertido e gostado do conteúdo.

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